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Dia de folga.

–Preciso de um banho – Eu disse, era meu primeiro de dia de folga no emprego novo.

– O chuveiro fica ali e tem aqui uma toalha – Me entregou a toalha.

Entrei em um banheiro tipicamente feminino com decoração florida, mas elegante até certo ponto, abri a porta do Box e entrei. Bem em minha frente pendurada em um suporte da parede estava uma daquelas esponjas de banho, tipicamente feminino, mas muito agradável, peguei ela na mão e o sabonete e enquanto esfregava meu rosto com aquilo notei um produto ao lado do xampu e condicionador, a espuma bloqueava minha visão e então fui lendo palavra por palavra: “Sabonete intimo… use com esponja apropriada”. Bem a esponja apropriada eu já tinha encontrado e esfregava-a no meu rosto.

Terminei meu banho e vesti as mesmas roupas com que entrei no banheiro, higiene não é meu primeiro nome, ao sair ela me olhou e pude vê-la tentando sentir meu cheiro de longe feito um cachorro de caça – Que coisa estúpida, pensei.

Vamos fazer algo diferente hoje? – Ela me perguntou.

Claro, o que é que você quer fazer? – Eu disse.

Bem, vamos ao shopping ou a algum outro lugar.

Ah, bem… Você sabe como é que me sinto saindo por aí, o mundo não é tão legal quando você pensa que todos são uns sacos de merda.

Inclusive eu? -Ela me perguntou, mordiscando o lábio inferior e fazendo suas pupilas dilatarem enquanto se apoiava sobre a ponta do pé.

Aquilo me derreteu.

Não, você não, você é especial porque me quer por perto.

Se eu fosse a única isso seria um elogio – Respondeu ainda com charme.

Pense bem, mesmo que exista outras você já sabia disso e mesmo assim eu trato cada uma de um jeito, um tipo diferente de pessoa, você me quer por perto não é?

É – respondeu.

Então – Eu disse – as conseqüências são essas, se você me quer por perto é assim que é.

Tudo bem – Ela disse. E, me pegou pela mão e me arrastou em direção a porta e parou, me olhou com seus olhos verdes e penetrantes, que olhos ela tinha me fazia esquecer que o mundo de merda estava tão fodido e segurando minha mão entre as suas duas mãos me perguntou : Mas um dia vamos ser só você e eu não é? Só nós dois, certo?

Segurei-a pelo cabelo da nuca e a beijei com vontade, saímos.

Sonho realizado.

Abriu a porta de seu apartamento girando levemente a maçaneta com o propósito de não fazer nenhum alarde – Pode ter alguém em casa.

Concordei com a cabeça e fui entrando no amplo apartamento, não tinha ninguém.

A porta foi trancada e enquanto ela deslizava a chave para dentro do bolso da calça colei meu corpo ao dela, as noites ultimamente estavam tão frias, tanto para mim quanto para ela, deslizei o braço em volta da cintura daquele corpo magro e bem definido, meus dedos começaram a brincar na borda da calça e a língua a tocar sua pele por baixo do cabelo, atrás da orelha, era intensamente o necessário, suas mãos tocavam nas minhas pernas, apertando-me os joelhos e as coxas, ela sussurra entre um gemido baixo: – Pro quarto…

Era um lugar aconchegante e previamente preparado por ela que logo correu para o banheiro, fiquei confuso, mas valeu a pena e em seguida ela volta ardendo em um conjunto vermelho.

Nós nos olhamos nos olhos sem nos tocar, frente a frente ela faz um pequeno furo na gola de minha camiseta com suas unhas, afiadas e pontudas, seus dedos são finos e gelados, enquanto fura a camiseta mantém sem olhar baixo focalizando meus pés quando fura me olha com a sacanagem nos olhos e só o barulho de pano se rasgando consegue me tirar de dentro daqueles olhos e das infinitas possibilidades que eles puderam criar em tão poucos segundos em minha mente, seguro o seu pequeno rosto pelo queixo e beijo ela feito amantes que estão separados a muito tempo, quanto tempo desejei isso, levantando ela pelos braços feito um objeto a deito na cama de bruços e na sua lombar, por sobre a tatuagem do infinito começo a passar a língua fazendo os círculos, arrancando-lhe a calcinha com as mãos, devagar, revelando tudo o que eu sempre quis intimamente…

Sonhos

Já estavam dentro do apartamento, ainda vestidos se olhavam sentados na cama. Ele olhava para ela como se pudesse atravessá-la com os olhos. Neste momento pensou e disse :
- Agora chegou a hora aonde você não vê mais nada…
Segurou-a pelos cabelos, jogando seu corpo mais pesado por cima do dela. Fazendo-a colar no colchão. Fazendo a cama ranger. Ele adorava aquele barulho que a madeira fazia.
Puxou rápido o pedaço de pano preto que tinha no bolso da calça, deu a volta completa na cabeça e amarrou de um modo firme. mas que não fosse incomodo. Retirou da mochila as fitas de seda preta, com círculos já amarrados nas pontas. Prendeu cada membro do corpo dela à cama enquanto ela gemia e questionava as atitudes. Ele compreendeu que ela não gostava de “não ver”. Deixou-a amarrada e contemplou a roupa que ela vestia: uma blusinha branca, uma calça, jeans apertada. Era uma pena…mas tinha de ser feito.
Retirou a navalha da bolsa. Deitou-se por cima do corpo trêmulo dela, as pernas aberta sobre o ventre dela. Abriu a navalha fazendo um leve barulho, um clic…era o sinal de que o sonho começou. Depositou a navalha lentamente embaixo de cada botão da blusinha, sem tocar a lâmina na pele, e os fazia pular. Botão por botão foram saltando e caindo pelo chão do quarto. O mesmo com o botão da calça, que logo após ele rasgou com delicadeza de fora a fora enquanto ela balbuciava negativamente…sentia que ela queria e estava fazendo o que ela queria. O que ele queria. O que eles queriam.
Removeu a sua calça e jogou longe. As roupas dela agora nada mais eram do que a lingerie, branca e pura que fez questão de arrancar com os dentes, mordiscando o bico de seus seios e a virilha. Deitou-se por cima do corpo dela, que já estava tremendo muito mais do que no começo. Aproximou-se do seu pescoço e mordeu bem forte, bem abaixo da orelha, chupando por vários segundos a carne macia do pequeno pescoço. Desceu deslizando com a língua até o sexo dela que vibrava. Acariciou longamente de baixo para cima, com movimentos circulares, penetrando-a com a língua até onde conseguia, percorrendo todos os caminhos que os nervos faziam, tocando levemente, quase imperceptivelmente onde era mais sensível. A seda começava a esticar com os espasmos e gemidos dela tentando se libertar. Ele sentia que ela queria afundar os dedos na sua cabeça… respirou ofegante bem próximo ao ouvido dela, enquanto tateava o chão a procura da navalha. Começou a tocá-la com a navalha gelada, provocando arrepios e gemidos por todos os lados. Passou a lâmina pela própria língua -um pequeno corte e deu um beijo cheio de volúpia, tocando levemente seus lábios de inicio e agindo como um animal sedento logo em seguida. Sentia-se leve. Era o momento mais esperado. Segurou o pescoço dela com uma mão enquanto com a outra pegava a pedra de gelo de dentro do balde que estava próximo a cama. Percorreu cada centímetro do corpo daquela mulher com a pedra de gelo, sendo seguida pela língua, derramando saliva por sobre o gelo até achar o túnel pelo qual fez a pedra de gelo passear. Uma sensação peculiar na qual tudo esquentava e ficava gelado logo em seguida; até o gelo derreter…era isso que ele chamava de “quebrar o gelo”.

(…)

Preciso perder peso :(

O sangue brota da garganta e respinga no chão  já fazem algumas semanas que ele se sente assim e  não quer sair desde de que ela foi embora e  levou com ela o que ele mais gostava, fica escarrando sangue  que brota violentamente de algum lugar perto do pulmão ele sabe que a vida está tão perto do fim quanto estava quando nasceu, um segundo e pronto, tudo acaba e  a relatividade do tempo  a execução da obra toda, Nada valia a pena sem que ela pudesse estar ali para aplaudir, subir no palco e receber os aplausos de musa inspiradora,.Sabe, tudo isso era maluquice e ele sabia…ela levou embora e vai trazer, um dia ela devolve era o único pensamento confortável que ele conseguia ter ou o único que ele queria pensar. O regresso outros dias o contato  a devolução a chama se apagando para acender novamente, senti as entranhas queimando ele sabia que não era o sangue e sim o desejo queimava por dentro, escrevendo o nome dela nas paredes do seu estomago jorrando sangue fazendo o mesmo subir até a garganta, vomitando o desejo pelo chão…era tão grande, era o excesso…excesso de desejo.

Ilícito

A ansiedade era imensa acabara de fumar o primeito maço de cigarros olhou fixamente para o relógio e pensou :  ” Um maço vinte minutos…”,nunca se deu bem com a ansiedade e estava esperando isso fazia alguns meses e então a sineta tocou, sabia que era ela que ela seguiu as instruções, saiu o avião pegou o taxi e chegou até ali, até o seu alcance.
Abriu a porta e observou, ela estava linda como sempre foi os cabelos encaracolados e pouco revoltos do jeito que ele gostava, gostava de colocar o dedo dentro dos cachos de cabelo, sentir os cabelo enrolando nos seus dedos…o momento não durou nem 1 segundo mas parecia a eternidade, uma eternidade que poderia durar mais do que qualquer coisa, teve tempo de analisar, o segundo seguinte foi ação, ele tremeu de excitação e voôu em direção ao corpo dela com os braços abertos, os corpos se chocaram como galáxias ela foi arremessada para  trás mas não teve tempo de cair para trás, os braços dele, aqueles braços que ele sempre trabalhou para esse dia fizeram sua função e agarraram o corpo dela ainda no ar, prensando o corpo dela entre os braços e o maciço que era o seu corpo, ela sentiu uma vertigem subindo seu corpo, um emaranhado de sensações arrepios e tremores, até sentir que algo quente lhe sugava o pescoço, ele não perdeu tempo, já estava acariciando as coxas e pernas, sugando-lhe o pescoço e sussurando o quando a desejava com os dedos em seu corpo.


Continua.

“…Certamente era virgem, e toda a malícia estava em sua própria cabeça, em sua deletéria luxúria. Mas também pensou:  ela durmiu, a potranquinha sedutora teve medo e durmiu. Impressionou-se com a raiva que sentia, mas em seu estômago houve um certo alívio. Andou para o banheiro, dizendo-se que logo voltaria e haveria de dormir, e então ouviu o ruído da menina mexendo-se na cama. Deu meia-volta e espiou pela porta entreaberta.
Araceli tinha os olhos fechados, o rosto de frente para a janela e para a lua. Seminua, apenas uma reduzida tanga apertava seus quadris delgados. O lençol revolto cobria uma perna e  descobria  a outra,  como se o tecido fosse um difuso falo a saquear-lhe o sexo. Braços cruzados nos seios, parecia dormir sobre o antebraço esquerdo. Da porta, Ramiro a contemplava, quieto, estonteado ante tanta beleza. Respirava pela boca, que secou-se ainda mais, e logo se apercebeu da ereção paulatiana e irreversível, do tremor de todo o seu corpo.”

Arremesou o livro no chão que caiu com as folhas dobradas vincando-as, caiu inerte  como um peso de papel um peso de papel feito de papel, sentiu inveja de Ramiro por alguns segundos e pensou : eu o inventei. Sabia do que estava falando e como essa história iria acabar já tinha lido esse livro tantas vezes que perdeu a conta, os tijolos vermelhos agora envernizados brilhavam refletindo a pouca luz que gostava, uma televisão pequena desligada da tomada logo em sua frente servia como um espelho escuro conseguia ver seu reflexo deitado na cama de lençol quadriculado sem forma, embolado como se tivesse levado uma surra e foi isso mesmo que aconteceu. Nessa noite de sono turbulenta talvez ele tenha se engalfinhado com  o lençol e apertado ele como nunca apertou uma mulher, mas essa que o veio visitar no sonho não era uma mulher comum, era a mulher que já o queimou por dentro tantas vezes que já perdeu a conta, cada queimadura em uma intensidade diferente, ela simplesmente podia sugá-lo com toda sua boca para dentro da sua alma e faze-lo passear pelas suas entranhas como se fosse o passeio mais lindo, como podia fazer com que ele chorasse sangue e vomitasse lava de um vulcão a muito ativo. Levantou-se foi até o banheiro procurou duas aspirinas e as engoliu, abriu a torneira da pia e deixou a água correr livremente e depois de alguns segundos lavou as mãos e as esfregou no rosto, lavou os  olhos com a água gelada por muito tempo, não conseguia pensar e de fato não o queria.

Formação

Thereza, conseguiu segurar o riso era uma moça linda com um nome não tão lindo, tinha um olho menor do que o outro também ou era um tipo de charme, encarava como um charme natural, como se estivesse lhe passando uma cantada o tempo todo  enquanto conversavam ainda se tocavam e  a mão dele corria pela coxa esquerda dela, ia até o joelho e voltava até o final da virilha, ela usava uma camiseta larga dele, camiseta de uma de suas viagens de infância, Fortaleza era um lugar lindo. E a camiseta estava linda nela, os seus seios se acendiam e apagavam segundos depois, como duas pérolas brotavam na superficie da camiseta, segurou na camiseta, perto da virilha, com as costas da mão acariciou-a e puxou a camiseta para que ela roçase em seus seios, viu-os dobrando junto com a camiseta, deu-lhe um longo beijo, não estava afim de transar de novo, mas queria que ela fosse embora com desejo, e isso já bastava, sentiu a mão dela tentando percorrer suas pernas, sua coxa, alto demais, ele pensou, parou o beijo bem devagar e sentiu o desejo dela morrendo na ponta de sua lingua.
Virou as costas, ela avisou que teria de tomar um banho, fez algum tipo de provocação ou insinuação , a qual ele percebeu e não fez a menor questão de corresponder, deu-lhe a toalha e um sabonete branco, ouviu-se o som do chuveiro ligando e uma exclamação dizendo que a água estava fervendo.
Ele foi até o banheiro invadiu o box rapidamente girou uma pequena chave e água ficou morna no mesmo instante, saiu para fora do banheiro e deitou-se olhando para o teto e começou a se lembrar de sua infância, tomava banho desde pequeno com a água extremamente quente, era comum sair do banheiro com a pele vermelha, ardendo e queimando, não entendia porque fazia isso, mas se não o fizesse não se sentia bem, anos mais tarde já quando tentou cursar a faculdade descobriu o que aquilo significava, a água quente era a representação do seu desejo, o seu desejo por uma mulher que fosse como a água que o queimasse e o fizesse ferver, brincar com fogo, já tinha encarado algumas mulheres assim.
Kurt, ele era o contra-mito, ele provava que homem também sente prazer, e não é com qualquer coisa, ele era o que as mulheres não conhecem, ele era dificil. Ela saiu do chuveiro, já estava vestida os cabelos molhados encaracolados, estava linda sem maquiagem, era uma mulher de uma beleza intensa quadril largo aliado a cintura fina, e uma pequena saliência abaixo do umbigo, isso o deixava tonto, mas ele sabia o que tinha de fazer, a abraçou deu outro longo beijo, depois a conduziu até a porta do apartamento, uma porta de madeira pintada de branco em constraste com o apartamento de tijolos a vista, desceu os dois degraus com ela, e já estavam na rua , os carros zumbiam. Ela se despediu e disse que se veriam em breve, ele não tinha dúvida disso talvez ela aparecesse chorando as mágoas do namorado ou com algum filme descartável para que eles assistisem. Não precisariam trepar para se verem e era nisso que ele pensava, não trepar, deitou-se e continuou olhando para o teto, e disse a sí mesmo, com sua voz que teimava em não lhe passar pelos dentes :
- Não foi dessa vez.

Vida real

Sentia o abdômen pesado, estava sentado nessa posição já fazia algum tempo, o primeiro botão da calça jeans surrada estava aberto para liberar a pressão, pressão nenhuma, só sentia o abdômen pesado, o corpo, todo o peso do corpo sobre o abdômen, graças a sua vida difícil conseguia ter um corpo mais ou menos, não era grande coisa, e não ligava para o que era, ele sabia da sua capacidade e não contava vantagem sobre isso, mulheres não gostam que contem vantagem, não…Elas gostam ao pé do ouvido, quando se sussura as suas vantagens, e o desejo as faz pedir para mostrar. Disso ele sabia, sabia desde de muito cedo, o copo de água perto da janela refletia o sol opaco que fazia lá fora, um tempo cinzento, um quarto com tijolos a vista, não tinha acabamento, gostava de plástico, se pudesse seria de plástico, entretanto algumas vezes, ele virava metal, rígido e inflexível, tanto fisicamente, e esse era um dos momentos em que acabara de ser metal, o corpo nu de uma mulher estendido na sua cama, qual era mesmo o nome dela? Os lábios bezuntados de batom, carmim como se a boca dela fosse feita de sangue, talvez tivesse lhe dado alguns tapas ou socos, e o que via não era batom, e sim um resquício de sangue que lhe escorreu da boca, a memória era turva, sempre ficava turva após esses momentos, só conseguia sentir, a sensação de que alguém escorregou pelo seu corpo todo, e a pressão que foi feita, durmia como um anjo e estava na sua cama, com as pernas a mostra, o lençol escondendo os seios, tocou a perna com as pontas dos dedos, era de verdade. As paredes com seus tijolos não cantavam nenhuma canção, ou hino de agradecimento pelo espetáculo que haviam presenciado, uma decisão a ser tomada, um café para dois, alguma coisa para comer…e o prato principal, o sabor de apreciar o corpo vivo e em movimento da outra pessoa, e quem sabe descobrir seu nome, teria de ser cauteloso.